Dimensão paralela: Conflictus Aeternus por dentro da estratégia

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* Hoje inauguramos uma nova coluna no blog, parte do nosso processo de renovação para 2013. Aqui na DIMENSÃO PARALELA, falaremos sobre estratégias e os torneios de Conflictus Aeternus que rolam por ai. E para nossa estréia, convidamos Frederico Cominato, que venceu os 3 primeiros torneios oficiais e compartilha um pouco de sua experiência no jogo neste artigo.

 

 

Num mundo em que os vícios se tornam cada vez mais caros, em que os grandes jogos internacionais esquecem os países mais distantes (nós), e a importação se torna cada vez mais chata de se fazer, eis que surge a nossa salvação. Direto da nossa pátria amada, acessível, próximo, nacional, chega até nós o Conflictus Aeternus.

Mas não estou aqui pra ficar puxando saco nem fazer propaganda, estou aqui pra falar de jogabilidade. Eu joguei Pokémon competitivo nos primórdios, joguei Magic competitivo por um bom tempo (acompanho torneios há mais de dez anos), tive inclusive minha fase de acompanhar o cenário competitivo de Yu-Gi-Oh. Quando peguei as cartas pela primeira vez, pensei em como poderia traduzir tudo que eu sabia e entendia para esse novo jogo. À medida que o tempo passou, eu fui percebendo que pouquíssimo eu realmente aproveitaria, de início achei ruim, mas então percebi o que isso significava. Novos horizontes a serem explorados, novas interações, novos raciocínios, não iria apenas jogar um Magic com cartas de fundo diferente.

A primeira diferença drástica é a condição de vitória: acabar com o baralho (Mons) do seu oponente. Difícil ver qualquer diferença de primeira, mas com o tempo você percebe como a dinâmica do jogo muda totalmente. As cartas que em outros jogos não tem tanto valor, acabam ganhando significância monstra. Comparando com o Magic, isso torna o ato de comprar cartas bem menos eficiente, cada carta que puxa a mais, buscando novas opções, está saindo diretamente da sua vida. A segunda diferença importante, é a diferenciação dos pontos de ataque e de tombo. Isso significa que nem todos os guerreiros que agridem guerreiros agridem seu oponente, e o contrário. Isso também muda o raciocínio que se deve ter na hora de escolher seus guerreiros. Vale mencionar também o método de fazer guerreiros em cima de guerreiros na mesa. Não vou me esticar muito nas regras, mas a principal diferença é que ela permite você fazer guerreiros maiores com menos fontes, quanto mais guerreiros há no seu deck.

Gosthir-o-iluminado-215x300

Quanto às semelhanças, os guerreiros que agregam valor, obviamente, são melhores que criaturas que não o fazem. Essa foi o meu primeiro acerto no jogo, separar o Mago Ilusionista, o Dragão guerreiro vultaniano e, obviamente, Gosthir, o Iluminado (nosso amado Monge Careca). Pra quem está acostumado com esse tipo de card game, existe o termo Card Advantage, que em português é vantagem de carta, esses guerreiros geram vantagem indireta em cartas. Quando você faz um Dragão destruindo um guerreiro, você está privando seu oponente de uma carta dele (se pegar mais de um ainda, lindo), praticamente de graça. Inevitavelmente, se o oponente fica sem recursos, você deve ganhar. Isso é a card advantage, obter vantagem em recursos. Mais tarde na luz, eu experimentei o Buscar, que também é excelente, de maneira diferente.

Guardião-das-montanhas-215x300

Isso nos leva a próxima boa influência do meu conhecimento prévio no jogo: interação com o cemitério. No Magic há o deck de Escavação, uma mecânica que abracei desde a primeira vez que a vi, e que ainda hoje é eficiente em competições nos formatos em que é válida. Nessa mecânica, você recupera cartas do seu cemitério ao custo de tombar cartas do deck, acabando por ganhar acesso a mais cartas diferentes, uma mecânica fortíssima. No Conflictus não precisamos tombar nossas cartas, nosso oponente fará isso pra nós. Só nos resta achar um meio de aproveitá-las. Temos como opções (por enquanto), Recuperar, Gosthir e o Avatar Gany. A recuperação coloca a carta no topo do deck, o lado bom é nos dar mais vida, o lado ruim é não agregar card advantage. Quanto aos dois guerreiros, aí encontrei as melhores opções. O Monge, por ser mais fácil de jogar que o Avatar, permitiria que eu gastasse menos slots com guerreiros, e mais com outras coisas, portanto foi o meu escolhido. O arquétipo foi um sucesso. O deck era recheado de amuletos para não deixar meu oponente jogar, enquanto eu só precisava fazer o Dragão, e empilhar o Gosthir a seguir, recuperar meus amuletos e manter controle absoluto da partida. O Dragão só precisa de 4 fontes, menos se você empilhar sobre outros guerreiros, permitindo que sempre fiquem fontes livres para amuletos, e, como os amuletos de controle em maioria podem ser baratos, podemos reduzir o número de fontes no deck, aumentando ainda mais a força do controle. Se temos menos fontes, temos mais cartas. Quanto aos outros guerreiros, eu procurei me ater aos que juntassem vantagem, Mago Ilusionista, Monge das Montanhas e Guardião da Passagem. Usei por um tempo o Monge da Floresta, só pela sua velocidade para conter o jogo no começo, mas acabei preterindo ele a cartas de compra, para encontrar aqueles que dão vantagem. Por ser um deck de controle, teoricamente você leva menos ataques, então pode usar todas as compras, assim você sempre achará as cartas que precisa. Só o que faltava ao deck, era um meio de manter-se eficiente após o Careca cair, e a solução encontrei numa das cartas mais fortes do jogo até então, Ação Inesperada. Com ela, eu posso jogar meus guerreiros no cemitério, recuperá-los e usufruir de suas vantagens novamente, agregando mais valor ainda. Eventualmente acabou-se encaixando o primeiro combo do jogo. Ação Inesperada e dois Gosthir, um recupera o outro, que sacrificado para a Ação tombou meu oponente. Todas as cartas do Mortis ao meu alcance, e a possibilidade de tombar o meu oponente sem precisar atacar.

Ação-inesperada

Toda a idéia pode ser transposta para a Luz. Os buscadores fazem a card advantage estritamente guerreiros, o que facilita a vinda do Avatar, que faz exatamente o mesmo, com uma intensidade ainda maior. O acesso da luz à recuperações melhores acaba tirando a necessidade de um controle tão intenso, e o tamanho robusto do Avatar permite você tombar seu oponente muito mais rapidamente com a Ação (Ainda mais se estamos usando Armas Sagradas, que não são tão eficientes na versão de sombra, pelo menor uso de fontes).

Para mim são os dois deck mais fortes que se pode fazer com essa primeira coleção. Meu Deck Sombra Gosthir-Ação me rendeu simplesmente todos os torneios de Conflictus que foram dados até agora. Eu continuo na busca de outro arquétipo forte, vivo testando novas combinações, mas acho que por enquanto Gosthir e o Avatar são insuperáveis. Mas logo vem coleção nova, e a exemplo do que acontece com todos os card games, vai dar uma sacudida no ambiente. Podem apostar que estarei testando todas as possibilidades novamente.

 

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