Conto: Perdido nas dimensões

Padrão

Esse conto é inspirado no lançamento da série “Segundo Impacto” do jogo CONFLICTUS AETERNUS. Nessa primeira parte vocês poderão sentir um pouco do clima e o que vem por ai em termos de história e ambiente desse jogo totalmente desenvolvido no Brasil.

Bom divertimento!

*****

Tem dias que você pensa que não devia sair da cama. Esse era um dia daqueles.  Seu trabalho é um saco, a escola é um saco. Até ai, nada diferente de um milhão de jovens pelo mundo afora. Daqueles que pedem apenas pra passar um dia, ou o resto de suas vidas, sem responsabilidade, como se a vida fosse um filme B com o Pearl Jam fazendo a trilha sonora. Pensando agora, talvez a minha vida chata e sem graça fosse legal. Como eu iria saber que era tudo pior do outro lado?

******

Bom, como eu disse antes, a boa era ter ficado na cama. Aceitei o trampo com o velho Ed na loja de antiguidades depois de muita insistência do meu velho. Afinal, segundo ele, dezessete anos é idade mais do que suficiente para arrumar emprego se você não tem intenção de estudar. O velho Ed paga pouco, e vive dizendo para eu não quebrar nada, senão vai me descontar. Pô, tem coisa ali que se encostar quebra de tão velha! Eu acabo obedecendo calado, porque o trampo é bem moleza, e com certeza é melhor que fritar hambúrgueres.  Cheirava melhor, e além disso os nerds e as garotas alternativas do colégio achavam o máximo, o que significava grana e atenção fácil.

Naquele dia, haviam chegado peças de uma cidade do interior, a maioria peças de decoração de parede e mesa. Nada muito legal ou bizarro. Eu odiava esses lotes, pois significavam uma tarde toda tirando poeira. Nessas horas os hambúrgueres não pareciam tão ruins. A tarde foi dedicada a essa atividade, e deixei as peças na mesinha do Ed antes de ir ao colégio. Eu estava pra sair da loja quando chega um cara mais ou menos da minha idade, usando uma jaqueta grossa e atitude de poucos amigos. Pensei em merda na hora, me perguntando quem seria estupido de assaltar uma lojinha como a nossa com uma padaria na outra esquina. O cara foi incisivo:

– Vocês receberam algumas peças do interior hoje, não? Acredito que algumas delas são pertencentes a antepassados de minha família, gostaria de vê-las.

– Amigo, a loja está fechando, e o Seu Eduardo ainda não colocou preço nelas. Vai ter que voltar amanhã.

– Não posso esperar tanto tempo, tenho uma certa urgência.

-Olha, sinceramente eu sinto muito, mas não posso fazer nada a respeito.

Mal terminei a frase o cara saltou pelo balcão e me empurrou, indo em direção aos fundos da loja. Caí em cima de um vaso em forma de cisne que custava metade do meu salário, já pensando se ia ter como consertar ou se o velho ia me dar um desconto por ataque de ladrão lunático. Levantei-me o mais rápido que pude e cheguei ao escritório a tempo de ver o doido pegar um amuleto com uns símbolos meio chineses. Já meio puto pelos bagunçados cálculos do prejuízo, me atirei contra o invasor (ele era ágil, mas menor que eu, e ali não tinha muito espaço pra eu ficar na desvantagem)  consegui segurar na corrente do medalhão, e nós dois caímos de encontro ao pesado cofre da loja. Com o choque, o amuleto se partiu. Eu nem tive tempo de pensar quantos meses ia ter que trabalhar de graça pra pagar por aquilo quando uma luz forte saiu da rachadura.

E então tudo ficou escuro.

 ******

Acordei com uma porcaria de formiga picando meu dedão do pé. Maldita mania de só usar sandálias. Estava deitado num gramado, com um solzinho sem vergonha lá longe e em minhas mãos parte do medalhão rachado. Que ótimo, espero que o velho não perceba que metade do medalhão está faltando.       Pelo menos acho que não morri, afinal era muito bonito para ser o inferno e eu não acredito que uma formiga me picaria no céu. Enfim, acho que não devia ter desejado viver num filme B, porque era onde parecia que eu estava.

Levantei e olhei em volta. Uma construção adiante, parecendo o templo do kung fu panda, mas em menor escala. Será que encontro o Jackie Chan ou o Jet Li por lá? Bom, vamos descobrir o que está acontecendo, monges são SEMPRE bons e prestativos, não é verdade?

Parecia perto, mas andei bem uns 10 minutos. E esse sol? Parece uma lâmpada incandescente na minha nuca! E quanto mais eu ando mais me sinto cansado, parece que minha energia está indo embora.

Chego à porta do templo exausto. Tem  uma porrada de caras lá, uns carecas, outros com cabelos normal, outros com trança. Parece que misturaram todos os filmes, e tem determinada hora que parece que eu vejo um fantasma. Tento falar com um dos caras que parecem normais,  um tipo comum com calça bege e blusa azul, mas ele me ignora. Vou tentar falar com um dos carecas de roupa de kung fu amarela, mas também sou ignorado. Estou quase desistindo quando surge na minha frente, como se sempre estivesse ali, um monge careca, de trajes marrons. Ele me olha diretamente e eu fico sem reação. Ele é o único que usa aquele tipo de vestimenta ali, e os outros monges abaixam a cabeça em reverencia a ele quando passam. Bem, não precisei usar a velha “leve-me a seu líder” pelo visto. Agora tento descobrir se isso foi uma boa coisa.

2ED CARTA 081

– Aqui não é seu lugar. Acompanhe-me – sua voz não parece ter sotaque, é quase robótica.

– Pois é, eu tava na loja, apareceu um cara, deu um fuzuê, acordei naquela graminha ali – enquanto falava, parecia que  ia me tornando mais cansado.

– Mantenha o silencio – ele prosseguiu – falar vai fazer com que os vultanianos drenem sua energia mais rápido, ainda mais aqui no templo.

Ok, fiquei em silencio, pensando que diabos seriam vultanianos , onde enfim estaria. Resolvi não contestar, já me sentia fraco e o careca era forte pra caramba, se ele resolver me dar uns golpes não ia sobrar muito para contar história. Cruzamos um pátio grande onde monges não-carecas de azul treinavam, e os carecas de amarelo meditavam ( eu poderia jurar que vi um deles concentrar energia na palma da mão, tipo um hadouken, mas afasto a ideia da minha mente)2ED CARTA 084

Finalmente chegamos a uma câmara, que parece um salão de treinos. Sentado em um dos cantos, um cara outro monge careca com as mesmas vestes do que me acompanha parece meditar. O carecão fecha as portas e se dirige a mim:

– Esse salão é isolado. Aqui, sua energia não será drenada, até que você aprenda a bloquear o dreno.  Seja breve e explique como chegou aqui.

Contei a história toda, sem pestanejar. O assalto, o baixinho metido a ninja, a loja do Ed, as peças do interior. O monge ouviu tudo atentamente, e sua fisionomia só se alterou brevemente quando viu o pedaço do medalhão que eu carregava. Ele voltou a falar quando terminei minha história:

– Um espião solariano na Terra atrás de um medalhão… Mas esse que você carrega não é o medalhão da princesa muito menos o de Mikael… será uma peça perdida  do Conflictus primordial? Pois se fosse um amuleto ordinário, não seria capaz de uma viagem pelas dimensões… e por que aqui? E porque imediatamente após Forgaz nos solicitar um grupo para o mundo dos Dracos?

– Senhor monge, perdoe-me a insolência – balbuciei, tentando parecer educado – mas eu posso saber o que se passa?

– Você não está na Terra – ele pareceu finalmente se importar com a minha confusão – está em uma dimensão paralela, e nós estamos em guerra. Solarianos e Vultanianos, pelo domínio dos planos. Para nós Vultanianos, uma luta de sobrevivência. Nos alimentamos da essência da energia das coisas que existem, sendo esse nosso maior poder e nosso maior fardo. Por isso você se sente tão fraco, pois não conhece a técnica de bloqueio. Se sua situação aqui perdurar, você deverá aprender, assim como Victor aprendeu.

– Perdurar? Então eu estou preso aqui? Isso quer dizer que vc não sabe como em mandar pra casa? Que tal perguntarmos pro seu amigo sentado ali?

– Aquele sou eu.

– Como assim?

– Nossa essência pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, ao contrario dos humanos. E não sabemos quando o medalhão que você carrega pode abrir um novo portal. E o Caminho da Existência não é seguro com a movimentação dos exércitos para a invasão a Gracos.

– E o que eu faço?

– Vamos estudar seu medalhão, talvez ele contenha informações importantes que nos ajudem a decifrar essa situação. Descanse por hoje, recupere suas forças e eu lhe ensinarei a técnica de bloqueio. Você ficará aqui por hora. Volto em dois ciclos.

– Cara, como assim, eu to preso? Preciso voltar cara, a loja deve ter ficado sozinha e nem deu tempo de fechar e…

– Não há escolha. Paciente-se e tentaremos resolver. Sair por aquela porta certamente lhe custará a vida.

– Bom, acho que não vai ter jeito, então. Seu “outro eu” vai ficar?

– Sim, ficarei. Em casos extremos me convoque. Serei breve, preciso decidir o que fazer antes da próxima manifestação de Nyi.

– Quem???

– Nosso Avatar e símbolo máximo do poder Vultaniano. Nosso general e horizonte nessa guerra. Ele está próximo de sua Ascenção, devemos te enviar de volta antes que isso ocorra.

– E quem é você? Como devo te chamar?

GODTHIR, O ILUMINADO R$ 5,00

– Sou Ghosthir, o Iluminado. Comando os iniciados e os monges do templo de Nyi. Agora mantenha-se em silencio e aguarde meu retorno.

O monge careca saiu e eu fiquei pensando o que seriam dois ciclos. Refleti sobre o que havia acontecido, guerras e na encrenca que havia me metido. Não era bem nesse tipo de filme B que eu queria entrar.

Só me restava aguardar.

Continua….

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s